Então chegou a hora de viver cada dia de uma vez, cada passo conforme a perna. Chega de sofrer antecipadamente, chega de correr atrás e esquecer que a estrada ainda tem chão, chega de pensar no amanhã e esquecer o agora. Então eu resolvi tirar um tempo pra me entender, entender esses sentimentos indiferentes, decidi tirar esse peso das minhas costas, pegar uma rede e ficar observando a paisagem bucólica. Resolvi me afastar, passar os números para a agenda, comer alcaçus sem se preocupar com o peso, ou colocar quatro colheres de achocolatado no leite. Tirei um tempo para ficar um pouco sozinha, repensar nos erros, nos mal-ditos, parafrasear uns textos do Caio Fernando Abreu, se desligar do mundo, ou simplesmente pegar um casaco e sair pelas vagas ruas da pacata cidade no inverno, caminhar sem rumo, me por em primeiro e estável primeiro lugar. Uma ilha deserta seria uma boa pedida.